14 julho 2014

Pra te contar que eu não volto mais.

Você pediu pra que eu voltasse e eu te disse que precisava de um tempo para dar a resposta. Bem, cá estou eu te respondendo em forma de carta, porque eu sou melhor escrevendo do que falando e você sabe muito bem disso.

Comecemos pelo óbvio: Eu quero voltar com você. Mas calma, isso não quer dizer que eu vá voltar. Meu bem, vivemos histórias incríveis lado à lado. Fui do céu ao inferno enquanto estava ao teu lado, e te agradeço profundamente por cada momento que você me proporcionou; por cada segundo de adrenalina; por cada sorriso. Mas dentre tantas coisas boas, também houveram as ruins. Ok, todo casal tem os seus altos e baixos, porém os nossos baixos começaram a se sobressair sob nossos altos. As nossas brigas foram se tornando cada vez mais frequentes, e talvez o pior disso tudo foi ver que nem sempre elas tinham reconciliações. 

Eu tinha sonhos com você. Sonhei com a nossa casa, nossos filhos, nosso casamento. Sonhei com aquele nosso tour pela Europa e cheguei a pensar na possibilidade de você me pedir em casamento em Paris. Mas, de repente, meus sonhos começaram a ser destruídos, dia após dia, briga após briga, ofensa após ofensa. Você não tem noção do quanto doeu em mim ver o nosso amor se tornando indiferença sem poder mexer uma palha pra consertar as coisas. Eu sei que errei, mas convenhamos que a parcela maior de culpa, dessa vez, fica pra você.

Você que fez drama por coisas banais. Você que desligou o telefone e passou a noite toda fora de casa. Você que chegava com o perfume misturado e o hálito de whisky barato. Você que bateu a porta na minha cara e disse em alto e bom que eu poderia sumir. E foi aí que o fim foi decretado e reconhecido em Cartório. Eu senti meu corpo padecer no momento em que você fechou a porta e disse pra eu nunca mais voltar. E não há justificativas para esse erro, mas eu queria muito que houvesse.

Eu quero voltar pro nosso mundo encantado, mas eu não volto porque eu sei que o encanto acaba à meia a noite, e eu acabo com a maquiagem borrada e sem ter pra onde ir. Eu não volto porque eu sei que você não vai mudar. Eu não volto porque você vai continuar batendo portas e telefones na minha cara. Meu erro foi ter voltado muitas vezes, sabe? Você se acomodou. Passou a pisar em mim como se eu fosse seu tapete vermelho. Mas agora é diferente. Eu aceitei que eu te amo, mas passei a me amar também. E foi aí que eu vi que não vale a pena voltar pra você.

Pode sumir. Dessa vez quem bate a porta sou eu. E ainda troco a fechadura.

11 fevereiro 2014

Eu precisei ir pra perceber que só tinha que ter ficado.

Eu voltei. Três anos depois de ter ido pro outro lado do Atlântico, aqui estou eu com essa mesma cara lavada de cachorrinho arrependido, mas, dessa vez, me escuta um pouco. Lembra o que eu te disse naquela madrugada de agosto há três anos atrás?! Lembra que eu disse que estava indo me encontrar, porque aqui eu me sentia perdido, fora de órbita e você me disse que meu lugar era exatamente aqui, na cidade que nunca para, e eu (como de costume) duvidei de ti?! Sei que cê lembra. E quero dizer que você tinha toda a razão do mundo. Eu queria me encontrar num lugar distante, porque aqui as coisas haviam deixado de ter sentido pra mim. Eu havia cansado disso tudo e fui. Fui sem pensar nas consequências, nas perdas e no que eu poderia (não) encontrar quando voltasse — se voltasse. Eu passei por cidades que nem lembro mais o nome, confesso: um lugar mais incrível que o outro. Luzes que iluminavam as vielas, as ruas e as grandes avenidas. Conheci pessoas que, de alguma forma, se tornaram importantes pra mim. Esses três anos pareceram-se mais com três séculos. Foi a melhor e a pior experiência da minha vida.

Três anos é tempo demais, eu sei. Ficar três anos longe, sem contato direto, sem certeza alguma, é coisa demais pra duas pessoas suportarem. Nós aguentamos apenas até o meu embarque, depois dali uma parte de mim tinha certeza que o laço tinha se desfeito e que, daquele segundo em diante, seríamos eu e você. Eu, do outro lado do Atlântico. Você, na Cidade Cinza esperando por mim ou encontrando outros "eus". Eu não faço ideia do que você tem feito durante todo esse tempo; não sei se se envolveu com alguém ou se resolveu esperar. E juro que vou entender se já houver outro ocupando o meu lado na tua cama, porque esperar dói e ninguém merece esperar por aquilo que, talvez, nem volte. Eu sempre fui a incerteza na tua vida, mas eu estava aqui do teu lado te mantendo segura de alguma forma. Só que isso tudo mudou no instante em que eu resolvi que queria me encontrar em outro lugar e, quem sabe, em outra pessoa. Eu te deixei jogada à beira mar com a certeza de que uma onda poderia te levar a qualquer momento, e, pior que isso: levar e nunca mais trazer. Mas eu fui e assumo as consequências dessa atitude errônea.

Quero que cê saiba que eu pensei demais em você durante esse tempo. Eu sei que é difícil acreditar, afinal, eu tinha um mundo todo pra explorar, mas acredite: eu jamais esqueci. Não vou dizer que pensei em você todas as noites antes de dormir, mas garanto que passei muitas noites andando de um lado pro outro no quarto pensando no que você poderia estar fazendo, se, por um descuido, também estaria pensando em mim. Eu não vou te pedir perdão, porque seria demais pra você e pro seu coração de mãe que sempre faz caber mais um. Eu só vou pedir pra que entenda que às vezes a gente precisa ir pra muito longe pra perceber exatamente onde é o nosso lugar — foi assim comigo. Eu achei que não havia mais nada pra mim nessa cidade, mas percebi que tudo que eu precisava morava no Jardim das Laranjeiras. Eu precisei ir pra muito longe pra descobrir que tudo aquilo que eu precisava e não encontrava dentro de mim estava no apartamento número 105. Eu só precisava de você, mas nunca fui homem suficiente pra admitir isso e assumir o tranco de ter um mulherão do meu lado. 

Talvez agora seja tarde e eu não vou te culpar caso você tenha trocado as fechaduras da sua casa e do seu coração. Mas saiba que eu tô aqui, que eu voltei e que você pode bater lá em casa quando precisar de um ombro amigo ou de qualquer outra coisa. Eu só quero que cê saiba que eu tô aqui, mulher, e que eu quero, de alguma forma, te recompensar por esses três anos de sofrimento que eu te causei. Te recompensar por ter destruído os sonhos que nós sonhamos juntos. Te recompensar em forma de sorrisos por todas as aquelas lágrimas que você derramou naquele aeroporto. Eu quero tentar remendar o teu coração que eu fiz a burrice de partir. Eu quero, mais que tudo, poder te fazer algum bem depois de todo mal que eu te causei. Então, por favor, deixa?! Eu não tô querendo entrar na tua vida pra bagunçar aquilo que você levou tanto tempo pra arrumar, eu só quero um espacinho na janela pra poder te ajudar com qualquer coisa, sabe? Eu preciso ajudar a estampar um sorriso no teu rosto pra poder me perdoar por ter sido tão burro e rude contigo. Não precisa me perdoar não, mas tenta me entender. E deixa eu entrar na tua vida aos pouquinhos, deixa?! Me desculpa, mas eu precisei ir pra perceber que só tinha que ter ficado. E eu não me orgulho dessa escolha.

06 fevereiro 2014

Poderia ser você (mas não é).

Poderia ser você, mas o problema é que é ele. É ele o dono do meu coração e de todo o resto. Eu gosto de você, sabe? Gosto do seu sorrisinho torto, do seu olhar descarado, do jeito que me toca, mas eu o amo. Me perdoa por não te amar. Me perdoa por não conseguir deixar que seja você, pois, acredite, eu adoraria. Não precisa jogar na minha cara que ele não presta — isso eu sei de cor e salteado — mas a gente não manda no coração, meu bem. 

Poderia ser você se você me pegasse com ele me pega. Se me jogasse na parede sem me machucar. Se soubesse exatamente onde me tocar — com mãos e palavras — pra me deixar simplesmente sem
reação, apenas fissurada. Poderia ser você se você tivesse aquele sorriso cafajeste e branquinho que só ele tem. Poderia ser você se você tivesse o cheiro dele, porque ainda que você compre o perfume que ele usa, jamais teria o cheiro dele. O cheiro da nuca dele depois do banho ou depois do sexo — aromas que eu não sei explicar, mas que me causam um arrepio do pelinho do dedinho do pé até o último fio de cabelo.

Poderia ser você se você falasse como ele. Se me chamasse de "pequena" sem parecer meloso demais. Poderia ser você se você topasse dançar comigo às três da madrugada em plena Avenida Paulista. Poderia ser você se você me embriagasse de cerveja e vinho barato e, ainda assim, fazer eu achar tudo muito lindo, chique, romântico. Poderia ser você se, ao invés de buquê de rosas, você mandasse uma flor roubada do jardim da vizinha. Poderia ser você se você me fizesse sentir o que ele faz só de chegar perto. Poderia ser você se nossas bocas se encaixassem tão bem quanto a minha e a dele. Poderia ser você se nossos corações se encaixassem, mas, meu bem, o meu encaixe é ele.

Poderia ser você se você fosse ele. Mas não é. Nunca será. Ninguém nunca será. É ele. É ele o dono de mim, dono dos meus pensamentos, do meu prazer mais intenso, dos meus melhores beijos. É que com ele eu consigo ser eu mesma e mais trezentas mil, e ainda assim ele me acha única. É que ele, apesar de ser tantas coisas, ainda consegue ser melhor que o resto da população masculina. É que ele é ele, sabe? Não, você não sabe. Mas eu sei. E é por isso que eu tô voltando pro lugar da onde eu jamais deveria ter saído: tô voltando pro abraço dele. Dele que, mesmo sendo um completo sapo, se transforma em príncipe quando sente o perfume da minha nuca.

28 janeiro 2014

Sobre mudar e crescer.

Tumblr 
Eu mudei e não foi só de casa e de cidade — alguma coisa dentro de mim também mudou. Mudar é uma palavra um pouco assustadora e desafiadora. Afinal, quando é que nós realmente mudamos? Depois de uma decepção amorosa? Depois de receber uma oportunidade incrível e ter que mudar todas as certezas de lugar? Depois de receber uma puxada de tapete daquelas e se ver na obrigação de se levantar e virar o jogo? Bem, eu mudei depois de ter passado por todas as situações que acabei de citar. 

Chegou um momento em que eu me olhei no espelho e não me reconheci. Meus olhos haviam perdido o brilho, o meu sorriso havia perdido o sentido e o meu corpo parecia apenas uma carcaça. Era como se tudo estivesse vazio por dentro. As coisas mais importantes acabaram se tornando não tão importantes assim. As dores, que antes torturavam, pararam de doer e se tornaram apenas feridinhas, cicatrizes. O colo da minha mãe já não curava tudo; as cobranças, não só que vem as dos outros, mas também as que vinham de mim, se multiplicaram por mil. As certezas deixam de ser absolutas; os segredos se tornaram cada vez mais restritos; confiar nas pessoas já não era tão fácil quanto antes, e eu já via as coisas um pouco além do que costumava ver. Foi nesse momento em que eu finalmente percebi que havia mudado, e que não adiantaria negar: as pessoas ao meu redor também perceberam. 

Me assustei com a minha mudança. Como pode uma pessoa mudar tanto? Foi o que eu me perguntei. Mas isso faz parte de um outro processo ainda mais assustador: Crescer. É, eu cresci também. Nos auge dos quase dezessete anos as coisas mudam um pouco. As preocupações não são apenas com a tarefa insuportável de Matemática, mas também com o vestibular. Com o futuro. Com a futura carreira. Agora as pessoas não me olham mais como uma bonequinha, e nem minha mãe passa a mão na minha cabeça, porque agora, segundo os adultos, eu sou já sou mocinha crescida e tenho que arcar com as consequências dos meus atos. Não, eu não sou e nem fui uma adolescente inconsequente ou irresponsável, mas eu nunca gostei de ter que cuidar de mim sozinha e, veja bem, hoje eu cuido. E cuido bem.

Eu sou nova, eu sei. Sei que ainda tem toda aquela conversa de "ah... você tem muito o que viver ainda". Eu sei disso e eu concordo plenamente. E eu vou mudar mais centenas de vezes e crescer outras centenas, e sempre vou olhar pra trás e pensar que eu era ingênua demais. Mas agora, nesse exato momento, eu sinto que cheguei no fim dessa fase da minha vida. Eu passei anos da minha vida sonhando com a vida que eu levo agora. Uma vida onde existem amigos, liberdade e vontade de vencer. Uma vida onde as paixonites doem menos do que uma DP em Química. Uma vida onde a minha maior preocupação é minha própria vida.

Eu vejo o mundo de um ângulo diferente. O amor, na minha concepção, já não é como nos filmes da Disney. As pessoas já não precisam ser iguais a mim para me conquistar, seja como amigo ou como algo mais. A mania de não querer magoar ninguém, eu já perdi; porque aprendi que mágoas criadas com a verdade, passam. Mas aquelas que são criadas e nutridas pela mentira, essas sim geram cicatrizes eternas. Eu aprendi que por mais amigos que você tenha sempre haverá um momento em que será você e você mesmo, frente a frente. Aprendi que não dá pra fugir de si mesmo, mentir pra si mesmo, driblar a si mesmo — a gente sempre tropeça na própria trapaça. Aprendi a ser paciente, e posso dizer que esse foi o maior presente que essa mudança me trouxe. Paciência ao falar e ao escutar também. Paciência ao agir. Pensar uma, duas e até três vezes (se for necessário) antes de tomar alguma atitude. Principalmente se essa atitude disser respeito a outra pessoa ou a algo que possa mudar meus caminhos. Paciência pra viver esses dias tão loucos que a vida me proporciona.

Mudar me assustou. Crescer também. Mas no final eu acabei gostando. Foi bom ter evoluído, ter mudado os conceitos, ter recuperado o brilho dos olhos. Foi bom ter saído da zona de conforto e ter metido a cara no mundo. Foi bom ter saído do mundo cor-de-rosa e criado coragem pra enfrentar um mundo cinza, mas que às vezes fica colorido e isso só depende de mim. Hoje eu posso afirmar que mudanças são boas, apesar de serem duplamente assustadoras.

02 janeiro 2014

2014.

2014 chegou e não é segredo pra ninguém o quanto eu estava esperando por esse ano. Quando relógio marcou meia noite eu chorei. Chorei de felicidade pelo ano que estava começando e de alívio por 2013 ter, finalmente, chegado ao fim. Tão esperado fim. 2013 foi complicado, cheio de erros, de quedas, de perdas, lágrimas e incontáveis sofrimentos. Um ano que mais pareceu uma cruz sobre minhas costas. Um ano que me obrigou a crescer — e talvez essa tenha sido a única coisa realmente boa e produtiva desse ano que já se foi.

Mas o foco aqui é 2014. O ano que mal começou, mas que já sinto que vai ser um dos melhores da minha vida. Um ano pro qual eu não fiz lista de desejos e nem de metas. Um ano em que eu decidi que deixaria o vento me levar pra onde quer que ele quisesse que eu fosse. Um ano de mudanças radicais. Um ano onde, literalmente, a frase "ano novo, vida nova" será aplicada com rigor. Um ano em que eu quero explorar todos os meus limites e me desafiar. Um ano em que eu quero que minha felicidade e minhas decisões estejam, única e exclusivamente, em minhas mãos. 2014 é o ano em que eu decidi viver fora da minha bolha rosa.

Sempre fui uma pessoa pessimista, daquelas que achavam que tudo daria errado sempre. Mas resolvi mudar também. Resolvi multiplicar a paciência e subtrair o desespero. Decidi que quero cultivar apenas o que me faz bem. Amigos, eu quero poucos, mas que sejam verdadeiros. Quero paixões de uma noite, mas não quero perder a chance de me aquietar ao lado de alguém que desperte o melhor que eu possa ser. em 2014 eu não quero perder boas oportunidades. Eu quero vivê-las. Não quero ter medo do incerto e permanecer estagnada numa zona de conforto nada confortável.

2014 será o meu ano, por que eu quero que seja. Porque eu desejo que esse seja o melhor ano da minha vida. E, acredite, se você desejar bem fundo, você também consegue transformá-lo no melhor ano da sua vida! 

25 dezembro 2013

Obrigada pelo nosso fim.

Antes de maldizer essa carta e largá-la em um canto qualquer, leia-a. Não é mais uma tentativa tola de te fazer voltar, longe disso. São apenas algumas palavras que eu gostaria de ter te dito há algum tempo, mas até então não me sentia preparada para fazer isso. 

Primeiramente, espero que as coisas estejam indo bem por aí. Por aqui tudo está bem, obrigada. Minha mãe ainda pergunta de você às vezes, mas ela irá superar sua ausência, assim como eu superei. Sabe como ela é, se apega muito rápido as pessoas e tem uma certa dificuldade em aceitar que, cedo ou tarde, elas se vão (eu tive a quem puxar). Meu pai já aceitou os fatos e tranquilize-se, ele não te odeia e nem guarda rancor. Aquele circo todo passou, as pessoas já não ligam meu nome ao seu e são poucos os que se atrevem a perguntar sobre nós dois. Ou melhor, sobre eu e você. 

Passei uma boa parte desse tempo sentindo sua falta e derramei algumas lágrimas tímidas, pouquíssimas lágrimas, afinal você me ensinou com excelência que não devo chorar por quem não faz questão de me ver sorrir. Foi um sofrimento breve e contido. Não senti necessidade de gritar a minha dor ou de expor meus ferimentos, eu estava relativamente bem com a situação. Posso dizer com total convicção que sofri mais durante o tempo em que estávamos vivendo um caso indefinido do que quando você, finalmente, decretou o fim. E eu já esperava essa decisão, confesso. Eu já sentia que iria acabar, apenas fiquei abismada com a forma que acabou. Eu esperava um adeus sem palavras gritadas e verdades vomitadas, mas isso não importa mais, até porque eu já te perdoei por cada palavra atravessada que você pronunciou. Perdoei de coração.

Hoje posso dizer que estou curada do mal que você me causou. E tenho visto as coisas de um ponto de vista diferente e, digamos, mais otimista. Apesar do nosso fim, você foi um divisor de águas na minha vida: antes de você eu era só mais uma menina frágil, ingênua e sem malícia alguma e depois de você eu me tornei uma mulher forte e que manda e desmanda na própria vida. Você reclamava que eu sempre corria pros ombros alheios na hora de me lamentar, mas se você pudesse me ver agora teria orgulho do quanto eu tenho melhorado nesse ponto. Tenho sido mais paciente com as coisas e me dedicado mais a mim mesma. Você pediu pra eu me cuidar e eu fiz isso muito bem. Cuidei de mim, do meu corpo, da minha alma e do meu coração e, veja só, eu fiz isso sozinha. Me tornei mais independente quando percebi o quão mal me fez a ideia de depender de você pra ser feliz. 

Obrigada pelo nosso fim, porque ele era tudo que eu precisava pra dar um "restart" na minha vida. Sua chegada me fez bem e a sua partida me fez ainda melhor. Não se sinta mal por isso e não é necessário se arrepender, só quero que você esteja ciente de que mesmo tendo me machucado muito, você contribuiu pra que eu evoluísse. Aprendi com você coisas que jamais teria aprendido sozinha. Aprendi a dizer adeus, a seguir em frente e a valorizar apenas aquilo que agrega valor à minha vida. Não cultuo mais sofrimento, nem prolongo dores e deixo pra trás tudo que não acrescenta. Finalmente a garotinha mimada que você amava se tornou a mulher que você sempre cobrou que ela fosse. Pena que agora, pra você, é tarde demais. Espero que suas coisas estejam correndo como você planejou e que seu sorriso tenha voltado aos lábios. Sinceramente só desejo à você coisas boas! A parte bondosa que você conheceu de mim permaneceu intacta, dela eu não abri mão.

Obrigada, querido. Obrigada pela nossa história. Um dia a gente se encontra pra que eu possa enfim te agradecer, principalmente, pelo nosso fim.

21 dezembro 2013

Uma crônica sobre se apaixonar.

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Você já se apaixonou, eu já me apaixonei. A Maria, o Carlos e o João, também já se apaixonaram. Todo mundo já se apaixonou. Ou quase todo mundo. Mas quem ainda não foi flechado pelo cupido prepare-se: sua hora irá chegar! Estar apaixonado é um paradoxo; às vezes, tudo vai bem e outras vezes nem tanto assim. Lágrimas rolam, potes de sorvetes são devorados, ouvidos amigos geralmente viram penico. Arrisco a dizer que a sensação de estar apaixonado é quase a mesma coisa de estar perdido em uma cidade grande: vemos muitas coisas bonitas e muitas coisas nem tão bonitas assim. 

Perito no amor, ninguém é. Ainda não criaram uma fórmula pra fazer todos os amores serem correspondidos. Sim, eu confesso: já levei alguns foras e pés na bunda. E estou vivinha da Silva, juro. Eu chorei, achei que jamais me apaixonaria novamente, que ele era o último cara do mundo... Mas não foi. E o próximo, talvez, também não será. E você já deve ter passado pelo mesmo. A Maria, o Carlos e o João, também. Mas também já me apaixonei e fui feliz. Já achei que ele seria o meu príncipe Hollywoodiano. Recebi mensagens bonitinhas e sacanagens ao pé do ouvido. Chocolates, passeios de mãos dadas e até os nomes dos meus filhos eu já escolhi com alguém. Mas passou, sabe?! Acabou e eu sofri, tomei mais sorvete, aumentei a lista de comédias românticas assistidas e achei que jamais haveria outro. E houve. E as lágrimas deram lugar à sorrisos.

O que eu quero dizer é que paixões fazem parte da vida. Se você ainda não viveu isso digo de novo e de novo: prepare-se. Você vai se apaixonar por uma pessoa que vai ser uma completa babaca com você. Vai ter que dispensar uma pessoa legal por que não consegue correspondê-la. Vai se apaixonar por uma pessoa amiga e vai sofrer por que não quer estragar a amizade. Você vai viver momentos incríveis com alguém e vai acreditar cegamente que é com ela que você vai casar e ter filhos, mas, se você tem menos de 21 anos, existem grandes chances de ser só mais uma paixão. Paixão essa que vai acabar e você vai sofrer. E aí você vai achar que acabou pra você, mas outra pessoa irá surgir e assim o ciclo se dá. Uma paixão frustrada após outra, alguns arranhões e, no futuro, tudo vira história. Capítulos da sua história de vida.

Cada pessoa que passa pela nossa vida deixa uma lição, uma mensagem. Vivemos momentos bons com todas as pessoas que passaram pela nossa vida e viveremos com as que estão por vir. Eu sei que quando estamos sofrendo dentro do quarto tudo parece o fim e todas as luzes no fim do túnel soam como um trem desgovernado. Mas, veja bem, não é assim. Tudo nessa vida é passageiro, menos motorista e cobrador. perdão pela piadinha infame. A mensagem é essa, tudo passa. E quando tudo que tiver que tiver que passar finalmente passar, a pessoa certa irá ficar. Ou você encontrará a felicidade de outra forma. 

Apaixone-se.