Poderíamos ser muitas coisas, mas o destino nos fez desconhecidos que se conhecem muito bem. Passamos lado a lado pelas ruas e nem sequer nos cumprimentamos, mas eu ainda lembro que você sempre preferiu dois beijinhos — um em cada bochecha — e um abraço apertado. Eu ainda lembro de muita coisa sobre você; sobre nós.
Ultimamente, tenho pensado muito na gente. Em tudo que fomos, que não fomos e que queríamos ser. Queríamos nos casar depois de terminar a faculdade e ir morar em uma cidade maior. Queríamos ter um apartamento na praia, um carro confortável e uma cozinha com decoração preta e vermelha. Fizemos muitos planos e eu acreditei, sinceramente, em cada um deles porquê eu queria que se tornassem fatos. Queria ter me casado com você de véu e grinalda e ter feito todos aqueles juramentos de amor eterno porquê, no fundo, eu acreditava que nosso amor seria eterno, mesmo que eu já não acreditasse mais em conto de fadas.
É estranho saber que você divide sua cama com outra mulher, talvez, mais de uma por noite. Mulheres que você mal conhece, que só podem te oferecer prazer por umas horas e nada mais. Mulheres vazias e que, ainda que ocupem o lado esquerdo do seu colchão, não ocupam o lado esquerdo do teu peito. Eu continuo dividindo minha cama com a solidão, essa maldita solidão que também ocupa meu peito. Solidão que, às vezes, tem sabor de saudade de você.
Eu sinto a sua falta e queria que você voltasse pra mim. Queria fazer com que nossos planos se concretizassem; queria voltar a ocupar o lado esquerdo da tua cama e do teu peito também. Eu ainda penso muito em você, digamos que em quase todas as madrugadas de insônia. Eu ainda digito seu número com a intenção de te ligar, mas você sabe bem que eu sempre fui um pouco covarde quando se trata de demonstrar sentimentos e foi exatamente essa covardia que tirou você de mim. Ainda olho nossas fotos e, às vezes, eu choro de saudade, de arrependimento e até mesmo de felicidade. Fico feliz quando lembro de que enquanto durou, foi verdadeiro e enquanto foi verdadeiro, foi amor. E, pelo menos em mim, ainda é.
Você me proporcionou os melhores sorrisos e momentos. Me fez bem como ninguém no mundo jamais havia feito. Você derreteu a geleira que havia em torno de mim e, ainda que eu negasse, eu precisava de você pra ser feliz, mas você nunca soube disso. E eu sei que errei quando quis parecer mais segura só pra te deixar inseguro. E por querer me manter intacta acabei ficando sozinha e quebrada em mil e um pedacinhos. É... Eu acabei aprendendo da forma mais difícil que, quando se ama alguém, é necessário deixar-se um pouco de lado. Tarde demais, né? Você foi e deixou comigo só o sabor amargo da saudade no lugar do sabor doce do seu beijo. Só isso.
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